Em celebração do Dia internacional dos Povos Indígenas (9 de agosto), a Editora UEA seleciona como livro do mês de agosto a obra Hixkaryana: história e cultura indígena em Nhamundá. Com fotografias feitas por Michel Amazonas, idealização e pesquisas de Diego Omar e Lucas Gaspar, o título consiste em um catálogo de fotos que fizeram parte da exposição com o mesmo nome, realizada em junho de 2022, que, por sua vez, originou-se de um inventário fotográfico e uma pesquisa feita na região de Nhamundá. O livro também inclui alguns fatos históricos e informações que fazem parte da pesquisa feita pelos autores, dispostos em algumas páginas ao longo da obra.
Em “Subindo o rio Nhamundá”, os autores discorrem sobre o retrato dos Hixkaryana ao longo do tempo, evidenciando como há pouquíssimos relatos fotográficos sobre eles desde a época da chegada dos missionários italianos para catequizar esses indígenas. Retratam, também, como o primeiro prelado, Dom Arcângelo Cerqua, se referia a eles mencionando a antiguidade das missões naquelas terras, que começaram com os jesuítas e depois com os franciscanos assumindo o comando. Além disso, destacam como as visitas aos Hixkaryana durante a década de 1960 acabou aumentando o interesse por esse povo.
Ao falar sobre a viagem realizada em função da pesquisa, em “Encontros e desencontros”, os autores abordam sobre a população Hixkaryana e os dados demográficos disponíveis em finais dos anos 1950 que os apontavam reduzidos a menos de 100 pessoas e, com dados mais recentes, segundo o Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (IEPÉ), a população hoje ultrapassa de 1200. Falam, também, da perseguição sofrida pelos Hixkaryana antigamente, o que ocasionou a fuga de muitos deles da foz do rio Nhamundá – hoje cidade de Faro –, origem daquele povo.
Em “Tecnologias e modos de vida”, os autores falam da etimologia da palavra Hixkaryana, com hixka = veado vermelho e yana = povo, então, ‘hixkaryana’ seria “povo do veado vermelho”. Segundo o ISA (apud Amazonas; Omar; Gaspar, 2024), “é um nome genérico para designar vários grupos de línguas e culturas semelhantes, que vivem atualmente nos vales dos rios Nhamundá (Amazonas-Pará) e médio Jatapu (Amazonas).” Enfatizam, também, que é um termo que engloba outros grupos que possivelmente tinham mais autonomia no passado, como os Kamarayana, Yukwarayana, Karahawyana e Xowyana. Com as fotos, mostram o procedimento quase completo da produção da farinha de mandioca, exaltando a força e a presença da mulher dentro da cultura indígena.
Por fim, em “Histórias incompletas”, os autores explicam que a história desse povo ainda está incompleta, cheia de lacunas, que é transmitida apenas pela oralidade, sem registros por escrita, nem mesmo grande interesse acadêmico para pesquisas. Reiteram o objetivo da produção do catálogo como uma forma de aproximação de uma cultura tão obscura quanto a Hixkaryana, com a esperança de abrir novos espaços para diálogo em torno da história e cultura indígena amazônida, além de incentivar pesquisas acadêmicas em torno dessa temática.
O livro é um convite à compreensão da história e cultura do povo Hixkaryana, explorada através de fotos que conseguem capturar cenas únicas, belas e vibrantes, sensibilizando nossos olhares para um cotidiano desconhecido e preservando a memória de um povo. É uma obra indicada para todos que se interessam pela cultura tradicional indígena e, principalmente, para aqueles que pretendem integrar a luta em favor das populações originárias da Amazônia em defesa de seus direitos, territórios e culturas.
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