Para o mês de junho, a Editora UEA indica a obra “Almanaque do Festival Folclórico de Parintins”, organizada por Diego Omar da Silveira e Eliseu da Silva Sousa.
Mais do que um livro de consulta, a publicação constitui um amplo inventário cultural sobre a maior manifestação folclórica da Amazônia, reunindo verbetes produzidos por pesquisadores, artistas, intelectuais e agentes culturais diretamente ligados ao Festival Folclórico de Parintins. Conforme destacam os organizadores, no texto introdutório “Quase tudo sobre essa festa que encanta…”, apresenta essa ponte entre o conhecimento acadêmico e os saberes produzidos pelos próprios detentores da cultura do Boi-Bumbá. Entre os diversos temas abordados, destacam-se os verbetes Economia, Patrimônio, Repercussão Nacional e Turismo, fundamentais para compreender a relevância do evento para Parintins, para o Amazonas e para o Brasil.
Economia
No texto “Economia”, Lucas Manoel da Silva Nascimento evidencia que o Festival Folclórico de Parintins ultrapassa a dimensão do entretenimento e da manifestação cultural, consolidando-se como um dos principais agentes de desenvolvimento econômico da região amazônica. O autor demonstra que o evento mobiliza uma ampla cadeia produtiva, envolvendo setores como hotelaria, alimentação, transporte, comércio e produção artesanal, além de atrair mais de 130 mil visitantes e movimentar mais de R$ 80 milhões apenas na edição de 2023.
Nesse contexto, Nascimento destaca que o festival gera oportunidades de trabalho e renda para a população local, sobretudo por meio dos empregos temporários, que correspondem a cerca de 29,04% das ocupações exercidas durante o período festivo. Esses dados reforçam que a festa não apenas preserva tradições culturais, mas também atua como um importante mecanismo de dinamização econômica e valorização dos saberes produzidos na própria Amazônia.
Ao final, o autor afirma que o Festival de Parintins constitui “um pilar essencial da economia local” (Nascimento, 2025, p. 117), evidenciando que a cultura popular, além de seu valor simbólico e identitário, possui significativo impacto social e econômico para o município de Parintins e para o estado do Amazonas.
Patrimônio
No verbete “Patrimônio”, Diego Omar da Silveira e Beatriz Calheiro Abreu Evanovick discutem a relevância histórica, cultural e identitária do Festival Folclórico de Parintins, destacando seu reconhecimento como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 2018, por meio do registro do “Complexo Cultural do Boi-Bumbá do Médio Amazonas e Parintins”. Os autores também ressaltam a promulgação da Lei nº 14.960/2024, que reafirma a importância nacional dos Bois-Bumbás Caprichoso e Garantido, fortalecendo juridicamente sua proteção enquanto manifestação representativa da cultura brasileira.
Ao final, o autor afirma que o Festival de Parintins constitui “um pilar essencial da economia local” (Nascimento, 2025, p. 117), evidenciando que a cultura popular, além de seu valor simbólico e identitário, possui significativo impacto social e econômico para o município de Parintins e para o estado do Amazonas.
Dessa maneira, o verbete demonstra que preservar o Festival de Parintins significa preservar não apenas um espetáculo artístico, mas todo um conjunto de práticas sociais, conhecimentos tradicionais, expressões estéticas e identidades coletivas que compõem a cultura amazônica.
Repercussão Nacional
A dimensão midiática e comunicacional da festa é abordada por Helder Mourão no texto sobre a Repercussão Nacional, no qual o autor explica que repercutir significa não apenas alcançar diferentes públicos, mas também provocar impacto social, econômico e cultural: “A repercussão nacional, portanto, significa que algo não apenas chega a todo território nacional, mas que causa impressão. Diz respeito a algo que afeta a opinião pública, as políticas, a economia e outros aspectos” (Mourão, 2025, p. 220). Segundo Mourão, a construção do Bumbódromo, inaugurado em 1988, marcou o início de uma nova fase para o festival, quando as agremiações passaram a compreender o potencial de projeção nacional do evento.
Ademais, o texto recupera uma reflexão do jornalista e professor Wilson Nogueira, que afirmava que o Festival de Parintins começou a integrar o mercado nacional e mundial ainda na transição entre as décadas de 1980 e 1990, não apenas como produto cultural, mas também como um importante bem simbólico difundido pelos meios de comunicação. A repercussão nacional ocorreu inicialmente por meio da imprensa escrita, seguida pelo rádio, pela televisão e, mais recentemente, pela internet e pelas redes sociais.
Turismo
Na abordagem proposta em “Turismo”, Joise Simas analisa o Festival Folclórico de Parintins sob a perspectiva do turismo cultural, destacando sua relevância para além do espetáculo popular. A autora ressalta que a grandiosidade do evento não se limita à tradicional rivalidade entre os Bois-Bumbás Caprichoso e Garantido, mas se estende à capacidade de atrair turistas nacionais e estrangeiros, seduzidos pela exuberância das apresentações, pelas tradições indígenas e afro-brasileiras e pela singularidade do ambiente amazônico. Nesse sentido, Simas defende que o turismo se conecta intimamente com a preservação e a valorização cultural, funcionando o festival como uma vitrine para as expressões artísticas e os costumes regionais.
Dessa forma, o “Almanaque do Festival Folclórico de Parintins” configura-se como uma obra de grande relevância para o registro, a preservação e a disseminação da memória cultural amazônica. Ao reunir pesquisadores, artistas, brincantes e sujeitos diretamente envolvidos com a construção da festa, o livro oferece uma visão abrangente sobre os múltiplos aspectos que constituem o universo do Boi-Bumbá. Mais do que catalogar informações, o almanaque reafirma a importância do Festival de Parintins como um patrimônio vivo, marcado pela resistência cultural, pela produção de conhecimentos e pela permanente reinvenção das tradições amazônicas.
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