Em comemoração ao mês da mulher, a obra selecionada pela Editora UEA é Cantando poetas das Américas: vozes femininas, publicada em 2020 pelo Maestro Adroaldo Cauduro. Repleto de sensibilidade artística, o livro se propõe a homenagear três autoras nascidas nas Américas — a gaúcha Maria Dinorah, a amazonense Astrid Cabral e a norte-americana Emily Dickinson —, adaptando seus poemas para músicas de coro e orquestra. A obra é estruturada em três partes: “Barco de Infância”, que nos apresenta quatro poemas selecionados de Dinorah; “Rio do Tempo”, que contempla a voz poética de Cabral; e “A fuzzy fellow, without feet”, que nos transporta para o mundo de Dickinson. Com habilidade musical ímpar, Adroaldo Cauduro nos presenteia com nove poemas musicados, cuja melodia acompanha o tom e a mensagem originalmente passados pelas autoras.
Barco de Infância
A primeira parte nos conduz a uma viagem através do imaginário infantojuvenil, onde o eu-lírico dos poemas é sempre uma criança.
Embalado em uma atmosfera nostálgica, “Barco de Infância” traz consigo uma percepção inocente e contemplativa da realidade, carregada de conforto e tranquilidade, característica da mente infantil de Sofia, personagem que aqui nos é apresentada. A singularidade desse poema é traduzida para a música em forma de cantiga, diferenciando-o assim dos demais, que valem-se do ritmo do samba.
Já “Barriga Vazia” nos impacta com a realidade de extrema pobreza e fome que muitas crianças vivenciam na atualidade. Versos contraditórios sugerem devaneios por parte do eu-lírico, que sonha com panelas de comida sendo preparadas no fogo, mas que na verdade não existem.
“Cantilena”, por sua vez, acrescenta a temática do trabalho infantil, uma responsabilidade atribuída precocemente a muitas crianças em situação de vulnerabilidade, que se veem na necessidade de trabalhar para conseguir sustento para si mesmas ou para ajudar suas famílias.
Por último, “Canção do Menino” explora uma infância vivida em meio à desumanização dos moradores de rua. Invizibilizados pela sociedade, subsistindo em condições de miséria, tais indivíduos não têm acesso à moradia digna ou recursos básicos, conforme ilustrado nos versos do poema, onde o eu-lírico expressa o desejo de ter uma cama, um pijama e um brinquedo.
Rio do Tempo
A segunda parte do livro é marcada por uma forte subjetividade e introspecção, mergulhando profundamente em assuntos da alma e das emoções humanas.
“Rio do Tempo”, em seu aspecto musical, ganha uma complexidade rítmica e melódica excepcional, pois o discurso remete aos sons incessantes da correnteza de um rio. Já no aspecto poético, os versos são carregados de sensibilidade humana, trazendo consigo a ideia de tristeza pelo tempo que passou e incerteza pelo tempo futuro, enquanto a vida inevitavelmente segue a correnteza do Rio do Tempo.
“Carrossel dos Dias” segue a mesma excelência do primeiro poema no que diz respeito construção musical, pois através do coro e dos instrumentos escolhidos, transmite a ideia do giro frenético e constante de um carrossel. O poema em si, por sua vez, se vale de antíteses e outras estratégias textuais para descrever o movimento da vida, semelhante a ciclos de esperança e renovação constantes.
A fuzzy fellow, without feet
A terceira e última parte da obra nos apresenta aos poemas selecionados de Emily Dickinson, escritos por volta do século XIX, que refletem o pensamento e o modo de vida da sociedade norte-americana da época.
“A fuzzy fellow, without feet” embala o leitor numa atmosfera alegre e otimista. Seus versos constroem essa ideia através da descrição da natureza e das estações do ano.
“‘Heaven’ has different signs – to me” constrói uma percepção contemplativa e reflexiva a respeito do conceito de céu, o paraíso pertencente à cosmovisão cristã, que é imaginado através da natureza terrena.
Por último, “The sun went down – No men looked on” repete a ideia de contemplação da natureza presente nos poemas anteriores, mas se aprofunda nela ao sugerir, por exemplo, que são poucos os que notam quando o sol de põe, e menos ainda são os que param para admirá-lo.
Cantando poetas das Américas: vozes femininas é, portanto, uma obra interessante para amantes da poesia e da música, que contribui para o enriquecimento cultural de ambas as artes. O livro conta com partituras para cada poema musicado, trazendo ao músico-leitor a possibilidade de reproduzir as melodias ao vivo.
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