{"id":2382,"date":"2026-04-30T10:23:57","date_gmt":"2026-04-30T14:23:57","guid":{"rendered":"https:\/\/editora.uea.edu.br\/?p=2382"},"modified":"2026-04-30T10:24:14","modified_gmt":"2026-04-30T14:24:14","slug":"historia-sob-tensao-conflitos-agentes-e-representacoes-na-amazonia-colonial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editora.uea.edu.br\/?p=2382","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria sob tens\u00e3o: conflitos, agentes e representa\u00e7\u00f5es na Amaz\u00f4nia colonial"},"content":{"rendered":"\n<p>Para o m\u00eas de abril, a Editora UEA indica a obra \u201cHist\u00f3ria da Amaz\u00f4nia Colonial: narrativas e experi\u00eancias nos s\u00e9culos XVI-XIX\u201d, das organizadoras Sarah dos Santos Ara\u00fajo e Stephanie Lopes do Vale.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>A colet\u00e2nea tem como objetivo central explorar o campo dos estudos coloniais a partir de uma perspectiva alinhada \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de uma identidade acad\u00eamica constru\u00edda com base em pesquisas produzidas em universidades da Regi\u00e3o Norte. Dividida em sete cap\u00edtulos principais, a obra prop\u00f5e novos olhares sobre o per\u00edodo colonial, abrangendo desde as narrativas e experi\u00eancias de agentes oficiais da Coroa at\u00e9 as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas processadas pela Inquisi\u00e7\u00e3o, revelando um universo multifacetado que se estende do s\u00e9culo XVI ao XIX.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>As diverg\u00eancias na representa\u00e7\u00e3o cartogr\u00e1fica europeia da Amaz\u00f4nia na segunda metade do s\u00e9culo XVI: a presen\u00e7a dos rios Amazonas, Mara\u00f1on, Maranh\u00e3o e Orellana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro cap\u00edtulo, de autoria de Lucas Montalv\u00e3o Rabelo, insere-se no campo da hist\u00f3ria da cartografia e da hist\u00f3ria colonial da Amaz\u00f4nia, tendo como objetivo central analisar as diverg\u00eancias nas representa\u00e7\u00f5es cartogr\u00e1ficas da regi\u00e3o amaz\u00f4nica na segunda metade do s\u00e9culo XVI, com \u00eanfase nas confus\u00f5es topon\u00edmicas envolvendo os rios Amazonas, Mara\u00f1on, Maranh\u00e3o e Orellana.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>O autor estrutura sua argumenta\u00e7\u00e3o a partir do referencial te\u00f3rico da \u201cinven\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica\u201d (O\u2019Gorman, 1992; Mignolo, 2007) e do conceito de espa\u00e7o como produto social (Lefebvre, 2017), afastando-se da no\u00e7\u00e3o de \u201cdescobrimento\u201d para privilegiar a ideia de constru\u00e7\u00e3o cultural e pol\u00edtica do territ\u00f3rio pelos europeus. Para Rabelo, os mapas n\u00e3o s\u00e3o registros neutros, mas instrumentos de poder que antecipam e legitimam projetos coloniais.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>O texto prop\u00f5e uma periodiza\u00e7\u00e3o da cartografia amaz\u00f4nica em quatro etapas, concentrando-se na \u00faltima (1560-1600), caracterizada pela complexifica\u00e7\u00e3o das representa\u00e7\u00f5es. As principais diverg\u00eancias analisadas s\u00e3o: (a) a confus\u00e3o entre os top\u00f4nimos\u00a0Mara\u00f1on\u00a0(designa\u00e7\u00e3o castelhana para o rio Amazonas) e\u00a0Maranh\u00e3o\u00a0(designa\u00e7\u00e3o portuguesa para o rio Mearim); (b) o aumento da topon\u00edmia de origem ind\u00edgena registrada nas expedi\u00e7\u00f5es de Orellana (1542) e Urs\u00faa\/Aguirre (1560-1561); e (c) a liga\u00e7\u00e3o fluvial imagin\u00e1ria entre as bacias amaz\u00f4nica e platina, conhecida como \u201cmito da ilha Brasil\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Os <em>Tarum\u00e3<\/em>, os <em>Manao <\/em>e o Forte da Barra do Rio Negro nos \u00faltimos tr\u00eas s\u00e9culos e meio: revisitando os paradigmas locais a partir dos registros hist\u00f3ricos e arqueol\u00f3gicos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No segundo cap\u00edtulo, Samuel Luzeiro Lucena de Medeiros inicia sua argumenta\u00e7\u00e3o recuperando a provoca\u00e7\u00e3o de Antonio Manuel Hespanha em \u201cNa trama das redes\u201d (2010, p. 74): \u201c[&#8230;] Se os colonizadores eram o reino e se os colonizados eram os colonos de origem europeia e sua mesticagem, onde colocamos os nativos?\u201d, para denunciar o apagamento sistem\u00e1tico da ag\u00eancia ind\u00edgena na historiografia tradicional.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>O ponto alto do cap\u00edtulo \u00e9 a an\u00e1lise do S\u00edtio Manaus, na Pra\u00e7a D. Pedro II conhecido como &#8220;cemit\u00e9rio ind\u00edgena Manaus&#8221;. Medeiros confronta a narrativa tradicional \u2014 segundo a qual o fortim teria sido constru\u00eddo sobre um cemit\u00e9rio sagrado do povo Manao \u2014 com os dados arqueol\u00f3gicos. As escava\u00e7\u00f5es realizadas pelo Projeto Arqueourbs (2002-2003) e as interven\u00e7\u00f5es de 2008 revelaram urnas funer\u00e1rias associadas \u00e0s fases cer\u00e2micas Manacapuru (s\u00e9c. III-IX), Pared\u00e3o (s\u00e9c. IX-XII) e Guarita (s\u00e9c. VIII-XVII). O autor observa que a atribui\u00e7\u00e3o etnocultural desses vest\u00edgios aos Manao baseia-se exclusivamente no relato do viajante franc\u00eas Paul Marcoy (1869), sendo, portanto, fr\u00e1gil e pass\u00edvel de questionamento. Sugere, como hip\u00f3tese alternativa, que os Tarum\u00e3, \u00faltimos a depositar seus mortos no local antes da coloniza\u00e7\u00e3o, seriam os mais prov\u00e1veis associados ao cemit\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>A carreira das letras: a comarca como espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o de folha de servi\u00e7os &#8211; as atua\u00e7\u00f5es do bacharel Jo\u00e3o da Cruz Diniz Pinheiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Stephanie Lopes do Vale, no terceiro cap\u00edtulo, investiga a atua\u00e7\u00e3o dos magistrados r\u00e9gios na Amaz\u00f4nia colonial, tomando como estudo de caso o bacharel Jo\u00e3o da Cruz Diniz Pinheiro, ouvidor geral da Comarca do Par\u00e1 na d\u00e9cada de 1750. A autora insere sua an\u00e1lise no contexto da administra\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a no Antigo Regime portugu\u00eas, destacando o papel dos ouvidores como agentes centrais da governa\u00e7\u00e3o colonial, respons\u00e1veis por correi\u00e7\u00f5es, elei\u00e7\u00f5es de c\u00e2maras, fiscaliza\u00e7\u00e3o de obras e media\u00e7\u00e3o de conflitos. Diniz Pinheiro, elogiado pelo governador Mendon\u00e7a Furtado, participou ativamente da funda\u00e7\u00e3o de vilas como Our\u00e9m e Bragan\u00e7a, enfrentando a resist\u00eancia de mission\u00e1rios jesu\u00edtas que disputavam o controle sobre a m\u00e3o de obra ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>O cap\u00edtulo demonstra como as tens\u00f5es entre o poder r\u00e9gio (representado pelos magistrados) e o poder mission\u00e1rio contribu\u00edram para a elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas indigenistas como o Diret\u00f3rio dos \u00cdndios (1755), ao mesmo tempo em que evidencia as estrat\u00e9gias de ascens\u00e3o social e os mecanismos de negocia\u00e7\u00e3o que marcavam a cultura pol\u00edtica do imp\u00e9rio portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Al\u00e9m da f\u00e9: estrat\u00e9gias de ascens\u00e3o social de religiosos na Amaz\u00f4nia colonial<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Thiago Gomes Bezerra, no quarto cap\u00edtulo, \u00a0analisa o papel dos religiosos na Amaz\u00f4nia colonial portuguesa, indo al\u00e9m da atua\u00e7\u00e3o evangelizadora para evidenciar suas estrat\u00e9gias de inser\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e ascens\u00e3o social. Bezerra problematiza a vis\u00e3o que limita os cl\u00e9rigos ao exerc\u00edcio da f\u00e9, demonstrando que, no contexto do Gr\u00e3o-Par\u00e1 setecentista, padres se envolveram ativamente em atividades como cultivo de cacau e cana, cria\u00e7\u00e3o de gado, com\u00e9rcio de escravos e at\u00e9 advocacia.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>O referencial te\u00f3rico do cap\u00edtulo ancora-se no conceito de Padroado R\u00e9gio (Boxer, 2002), que submeteu a estrutura da Igreja \u00e0 autoridade da Coroa portuguesa, tratando bispos e cl\u00e9rigos como funcion\u00e1rios do Estado. Nesse contexto, a Amaz\u00f4nia colonial representava um desafio administrativo singular para o imp\u00e9rio portugu\u00eas, e os religiosos desempenharam papel central na catequese e no controle das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, embora enfrentassem condi\u00e7\u00f5es materiais prec\u00e1rias, como a falta de c\u00f4ngruas, a deteriora\u00e7\u00e3o das capelas e a escassez de padres dispostos a estabelecer-se na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>O amor \u201ccondenado\u201d: como a magia amat\u00f3ria foi apresentada \u00e0 Visita\u00e7\u00e3o<\/strong><strong>do Santo Of\u00edcio ao Estado do Gr\u00e3o-Par\u00e1 (1763-1769)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Gisele da Silva Rezk, no quinto cap\u00edtulo, dedica-se \u00e0 an\u00e1lise dos processos instaurados durante a Visita\u00e7\u00e3o do Santo Of\u00edcio ao Gr\u00e3o-Par\u00e1 (1763-1769), sob o comando do inquisidor Giraldo Jos\u00e9 de Abranches. A autora examina as pr\u00e1ticas de magia amat\u00f3ria \u2014 ora\u00e7\u00f5es, lavat\u00f3rios, sortil\u00e9gios e pactos \u2014 que circulavam amplamente em Bel\u00e9m do Par\u00e1 no s\u00e9culo XVIII, desvelando uma religiosidade popular marcada pelo sincretismo e pela tentativa de solucionar mazelas cotidianas, sobretudo as amorosas. Como se l\u00ea no trecho: \u201cA feiti\u00e7aria se imiscu\u00eda na vida cotidiana e, caso o s\u00e9quito da celeste cat\u00f3lica n\u00e3o alcan\u00e7asse seus anseios, principalmente em quest\u00f5es amorosas e conjugais, devotos e, particularmente, devotas procuravam \u2018in\u00fameras alternativas menos ortodoxas\u2019\u201d (Mattos, 2012, p. 164).<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Por meio de den\u00fancias e confiss\u00f5es de personagens como Jo\u00e3o Mendes Pinheiro, Manuel Jos\u00e9 da Maya, Manuel Nunes da Silva e Maria Joanna de Azevedo, Rezk mapeia as redes de transmiss\u00e3o de saberes m\u00e1gicos, que envolviam preces a santos (S\u00e3o Marcos, S\u00e3o Cipriano), invoca\u00e7\u00f5es demon\u00edacas e rituais com elementos da natureza. A autora demonstra que a Mesa da Visita, ao mesmo tempo em que procurava reprimir tais pr\u00e1ticas consideradas supersticiosas, acabou por registrar e preservar um valioso acervo documental, permitindo vislumbrar o imagin\u00e1rio, os medos e os desejos da popula\u00e7\u00e3o colonial.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Dimens\u00f5es e limites do projeto civilizador pombalino<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Caroline de Almeida Gaspar, no sexto cap\u00edtulo, analisa os limites e contradi\u00e7\u00f5es do projeto civilizador pombalino na Amaz\u00f4nia, tomando como fontes privilegiadas a iconografia produzida durante a Expedi\u00e7\u00e3o Filos\u00f3fica de Alexandre Rodrigues Ferreira (1783-1792) e o documento &#8220;O sistema mais pr\u00f3prio para a civiliza\u00e7\u00e3o dos \u00edndios&#8221; (1797), redigido pelo governador Francisco Souza Coutinho.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p> A autora demonstra como o Diret\u00f3rio dos \u00cdndios (1757), apesar de seu discurso libert\u00e1rio, manteve os ind\u00edgenas sob tutela dos diretores, que frequentemente abusavam de sua autoridade. As cr\u00edticas de Coutinho e de Ferreira convergem ao apontar a corrup\u00e7\u00e3o dos diretores e a precariedade das condi\u00e7\u00f5es de vida nas povoa\u00e7\u00f5es como causas do insucesso do projeto civilizador. A extin\u00e7\u00e3o do Diret\u00f3rio por D. Maria I, em 1798, embora apresentada como uma medida liberal, n\u00e3o alterou substancialmente a situa\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas, que continuaram a ser vistos como seres em &#8220;estado de rusticidade&#8221;: \u00a0[&#8230;] por que motivo pois h\u00e1 de ficar em tutela perpetua, e toda a suas descend\u00eancias? Por mais r\u00fastico que se considere, ele n\u00e3o pode ser mais destitu\u00eddo de conhecimentos do que o \u00e9 uma crian\u00e7a, e esta com tudo na sua educa\u00e7\u00e3o tem certo termo, e a mesma jurisdi\u00e7\u00e3o paternal o tem at\u00e9 aquele que a Lei reconheceu a estabelecer para a maior idade em que inteiramente pode dispor de si, e fica entregue aos efeitos da sua boa ou m\u00e1 \u00edndole; boa ou m\u00e1 educa\u00e7\u00e3o (AHU, cx. 109, doc. 8610).<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>\u00a0O cap\u00edtulo destaca ainda a ambiguidade do olhar de Ferreira, que, ao mesmo tempo em que reconhecia a viol\u00eancia dos descimentos, reproduzia ju\u00edzos de valor sobre a &#8220;pregui\u00e7a&#8221; e a &#8220;ingenuidade&#8221; dos nativos, em que afirma no trecho \u201cnada convida ao gentio para descer por seu p\u00e9\u201d, e enfatiza tamb\u00e9m que \u201ctoda a sua paix\u00e3o e saudade \u00e9 pelo mato que deixaram. Ali o apetite animal \u00e9 a lei dos costumes, ali s\u00e3o naturalmente preguicosos, porque o mato, naturalmente, lhes subministra tudo o de que necessitam\u201d (Ferreira, 2005, p. 134). <\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Desprezados, mas essenciais: conhecimento e cultura ind\u00edgena na obra de<\/strong> <strong>Alexandre Rodrigues Ferreira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9timo e \u00faltimo cap\u00edtulo, Sarah dos Santos Araujo aprofunda a an\u00e1lise da obra de Alexandre Rodrigues Ferreira, focalizando as tens\u00f5es entre os saberes ind\u00edgenas e o conhecimento cient\u00edfico ilustrado. A autora demonstra que, embora os ind\u00edgenas fossem essenciais para o sucesso das viagens filos\u00f3ficas \u2014 atuando como guias, int\u00e9rpretes, coletores e conhecedores da fauna e da flora \u2014, seus saberes eram sistematicamente desprezados ou apropriados sem o devido reconhecimento. Araujo analisa passagens do di\u00e1rio de Ferreira em que o naturalista classifica os ind\u00edgenas como &#8220;pregui\u00e7osos&#8221; e reclama da falta de m\u00e3o de obra, ao mesmo tempo em que se beneficia de seus conhecimentos para sobreviver e coletar esp\u00e9cimes. Como se observa no trecho: &#8220;O meu ju\u00edzo a respeito da agricultura do lugar \u00e9, que o que a terra pode produzir de maniva, arroz, feij\u00e3o e milho, e ainda de algod\u00e3o e caf\u00e9, \u00e9 sem conto, mas que o que de fato produz \u00e9 muito pouco, porque o trabalho a fazer \u00e9 muito, e a pregui\u00e7a muito mais; porque os esfor\u00e7os dos que n\u00e3o s\u00e3o pregui\u00e7osos encontram a falta de bra\u00e7os de que necessitam; porque dos pretos, que entram no estado, n\u00e3o se fiam alguns aos lavradores capazes de os pagar, como Vossa Excel\u00eancia fez fiar, para esta capitania, durante o seu governo, no intuito de promover a cultura e manufatura de anil; porque os poucos \u00edndios, que h\u00e1, s\u00e3o incessantemente distra\u00eddos para o servi\u00e7o das expedi\u00e7\u00f5es r\u00e9gias; porque os que nelas andam empregados, e nelas desertam ou morrem, n\u00e3o s\u00e3o substitu\u00eddos por outros novamente descidos&#8221; (Ferreira, 2007, p. 37).<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Como sintetizam as organizadoras na apresenta\u00e7\u00e3o, os cap\u00edtulos percorrem desde o imagin\u00e1rio cartogr\u00e1fico sobre o rio Amazonas at\u00e9 as experi\u00eancias cotidianas de ind\u00edgenas, colonos e agentes r\u00e9gios, passando pelas disputas entre mission\u00e1rios e magistrados, pelas pr\u00e1ticas de magia amorosa perseguidas pela Inquisi\u00e7\u00e3o e pelos limites do projeto civilizador ilustrado.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Ficou interessado?<\/p>\n\n\n\n<p>Para saber mais sobre a obra, entre em contato com a Editora UEA atrav\u00e9s de nossas redes sociais. Estamos sempre presentes no nosso Instagram, Twitter e Facebook!<\/p>\n\n\n\n<p>Para conhecer as nossas publica\u00e7\u00f5es digitais dispon\u00edveis de forma gratuita, acesse aqui!<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-25ab0b01 alignfull uagb-is-root-container\"><div class=\"uagb-container-inner-blocks-wrap\"><\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-a66fd0b1 alignfull uagb-is-root-container\"><div class=\"uagb-container-inner-blocks-wrap\"><\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-ccd68f68 alignfull uagb-is-root-container\"><div class=\"uagb-container-inner-blocks-wrap\"><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para o m\u00eas de abril, a Editora UEA indica a obra \u201cHist\u00f3ria da Amaz\u00f4nia Colonial: narrativas e experi\u00eancias nos s\u00e9culos XVI-XIX\u201d, das organizadoras Sarah dos Santos Ara\u00fajo e Stephanie Lopes do Vale. A colet\u00e2nea tem como objetivo central explorar o campo dos estudos coloniais a partir de uma perspectiva alinhada \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de uma identidade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":2388,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_uag_custom_page_level_css":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-gradient":""}},"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"categories":[183],"tags":[],"aioseo_notices":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/editora.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Capa1-1.png",16667,12500,false],"thumbnail":["https:\/\/editora.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Capa1-1-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/editora.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Capa1-1-300x225.png",300,225,true],"medium_large":["https:\/\/editora.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Capa1-1-768x576.png",768,576,true],"large":["https:\/\/editora.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Capa1-1-800x600.png",800,600,true],"1536x1536":["https:\/\/editora.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Capa1-1-1536x1152.png",1536,1152,true],"2048x2048":["https:\/\/editora.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Capa1-1-2048x1536.png",2048,1536,true],"codesigner-thumb":["https:\/\/editora.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Capa1-1-400x400.png",400,400,true],"woocommerce_thumbnail":["https:\/\/editora.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Capa1-1-200x296.png",200,296,true],"woocommerce_single":["https:\/\/editora.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Capa1-1-200x150.png",200,150,true],"woocommerce_gallery_thumbnail":["https:\/\/editora.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Capa1-1-100x100.png",100,100,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"Thamires Silva","author_link":"https:\/\/editora.uea.edu.br\/?author=18"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Para o m\u00eas de abril, a Editora UEA indica a obra \u201cHist\u00f3ria da Amaz\u00f4nia Colonial: narrativas e experi\u00eancias nos s\u00e9culos XVI-XIX\u201d, das organizadoras Sarah dos Santos Ara\u00fajo e Stephanie Lopes do Vale. A colet\u00e2nea tem como objetivo central explorar o campo dos estudos coloniais a partir de uma perspectiva alinhada \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de uma identidade&hellip;","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editora.uea.edu.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2382"}],"collection":[{"href":"https:\/\/editora.uea.edu.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editora.uea.edu.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editora.uea.edu.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editora.uea.edu.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2382"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/editora.uea.edu.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2382\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2387,"href":"https:\/\/editora.uea.edu.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2382\/revisions\/2387"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editora.uea.edu.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2388"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editora.uea.edu.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2382"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editora.uea.edu.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2382"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editora.uea.edu.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2382"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}