{"id":2360,"date":"2026-02-05T11:02:46","date_gmt":"2026-02-05T15:02:46","guid":{"rendered":"https:\/\/editora.uea.edu.br\/?p=2360"},"modified":"2026-02-05T11:02:55","modified_gmt":"2026-02-05T15:02:55","slug":"uma-entrevista-com-o-autor-de-das-possibilidades-do-impossivel-leituras-das-animalidades-em-jaula-de-astrid-cabral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editora.uea.edu.br\/?p=2360","title":{"rendered":"Uma entrevista com o autor de &#8220;Das possibilidades do imposs\u00edvel: leituras das animalidades em Jaula, de Astrid Cabral&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p>A Editora UEA entrevistou o autor Jamerson Eduardo Reis. Nessa conversa, foram abordadas quest\u00f5es sobre a obra que faz um estudo liter\u00e1rio sobre <em>Jaula<\/em>, de Astrid Cabral, autora amazonense.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:51px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>De onde parte a inquieta\u00e7\u00e3o para a pesquisa em <em>Jaula<\/em>, de Astrid Cabral?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O mais comum nesses casos \u00e9 que, ao ler a fonte prim\u00e1ria, nesse caso a antologia da poeta Astrid Cabral, sejamos confrontados com quest\u00f5es que nos movem ao ponto de tentarmos respond\u00ea-las com o aux\u00edlio de outras obras. J\u00e1 a pesquisa que originou o livro teve seu in\u00edcio n\u00e3o exatamente do modo inverso ao mais comum, mas certamente diferente. Antes de ter contato com os poemas de <em>Jaula<\/em>, li um texto do fil\u00f3sofo franc\u00eas Jacques Derrida intitulado <em>O animal que logo sou<\/em>. Nesse texto bastante instigante, Derrida, ao refletir sobre a nossa capacidade de lidar com o pensamento animal, prop\u00f5e a seguinte tese: \u201cPois o pensamento do animal, se houver, cabe \u00e0 poesia\u201d (2011, p. 22). A tese me levou \u00e0 poesia de Astrid. Nesse contexto, o livro tamb\u00e9m \u00e9 uma tentativa de entender como isso pode funcionar, especialmente quando se trata de uma poeta que dialoga t\u00e3o bem com a filosofia.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:51px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong><strong>Na obra, voc\u00ea apresenta a analogia do espelho, mais especificamente, do \u201cEspelho de P\u00e3\u201d. Pode explorar mais esse conceito e como o relacionou com <em>Jaula<\/em>?<\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ideia do espelho como met\u00e1fora liter\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 nem de longe original; o que tentei fazer no livro foi reposicionar o espelho para criar alguns efeitos que pudessem auxiliar a leitura dos poemas de <em>Jaula<\/em>. A ideia de um \u201cEspelho de P\u00e3\u201d, que \u00e9 refer\u00eancia a uma divindade grega relacionada com a natureza, surgiu da tentativa de pensar o est\u00e1gio do espelho lacaniano em um contexto em que a superf\u00edcie do espelho s\u00e3o poemas que lidam com animalidades. Nesse sentido, as reflex\u00f5es (ou refra\u00e7\u00f5es) desse tipo de superf\u00edcie nos permitem enxergar um pouco mais do que o humano, o que eu acredito ser uma das maiores for\u00e7as da antologia da poeta.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:51px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong><strong><strong>Em sua obra, \u00e9 dito que a poesia tenta capturar a voz dos animais (como o canto das cigarras), que n\u00e3o usam palavras como n\u00f3s. Pensando nessa afirmativa, qual foi o maior desafio ao tentar explicar, no texto, o som e o sentimento dos animais?<\/strong><\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, eu acredito que n\u00e3o consegui explicar ou formular qualquer pensamento coeso em rela\u00e7\u00e3o ao que pensam os animais. Isso \u00e9, conforme busco defender no livro, imposs\u00edvel. Penso que no m\u00e1ximo ofereci leituras de poemas que tentam lidar com o abismo criado, por n\u00f3s, entre n\u00f3s e as outras esp\u00e9cies. S\u00e3o essas leituras que oferecem possibilidades a esse imposs\u00edvel. Pensando dessa forma, o maior desafio foi escrever algo que fizesse jus ao que eu acredito ser uma obra extremamente sofisticada no modo como prop\u00f5e e contrap\u00f5e reflex\u00f5es sobre as animalidades, as nossas e as dos outros viventes.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:51px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong><strong><strong><strong>Se o leitor sair do seu livro com apenas uma reflex\u00e3o\/inquieta\u00e7\u00e3o, qual voc\u00ea gostaria que fosse?<\/strong><\/strong><\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando tentei pensar em uma resposta, cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que a \u00fanica coisa que eu gostaria de um poss\u00edvel leitor seria o m\u00e1ximo e o m\u00ednimo que essa figura pode fazer por um texto: l\u00ea-lo. Todas as outras possibilidades repousam nesse gesto. Estendo esse desejo tamb\u00e9m para a <em>Jaula<\/em>, de Astrid Cabral. Dessa forma, outras leituras podem enriquecer o di\u00e1logo sobre uma autora t\u00e3o importante para a poesia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:51px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Por fim, como cr\u00edtico liter\u00e1rio, leitor e pesquisador amazonense, pode indicar alguma obra para futuros cr\u00edticos e pesquisadores da literatura amazonense?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A quantidade de pesquisas desenvolvidas sobre a literatura produzida no Amazonas s\u00f3 cresceu nos \u00faltimos anos, considerando a cria\u00e7\u00e3o e a consolida\u00e7\u00e3o dos programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de Letras. O que significa que os interessados pela fic\u00e7\u00e3o ou pela poesia de autores do nosso estado est\u00e3o bem servidos, bastaria checar a biblioteca ou o reposit\u00f3rio digital de uma das universidades p\u00fablicas amazonenses para entrar em contato com uma grande quantidade de textos sobre o tema. Entretanto, levando em conta meu percurso de forma\u00e7\u00e3o, gostaria de indicar duas obras que foram muito importantes para que eu pudesse come\u00e7ar a criar uma perspectiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 literatura produzida no Amazonas: a primeira, <em>Poesia e poetas do Amazonas<\/em>, organizada pelo professor Marcos Frederico Kruger em conjunto com o poeta e cr\u00edtico Ten\u00f3rio Telles, e a segunda, <em>Amazonas: natureza e fic\u00e7\u00e3o<\/em>, do professor Allison Le\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:51px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Ficou interessado?<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:42px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Para saber mais sobre a obra, entre em contato com a Editora UEA atrav\u00e9s de nossas redes sociais. Estamos sempre presentes no nosso&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ueaeditora\/?igshid=YmMyMTA2M2Y%3D\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/twitter.com\/UEAeditora\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ueaeditora\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a>!<\/p>\n\n\n\n<p>Para conhecer as nossas publica\u00e7\u00f5es digitais dispon\u00edveis de forma gratuita,&nbsp;<a href=\"https:\/\/ri.uea.edu.br\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">acesse aqui<\/a>!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Editora UEA entrevistou o autor Jamerson Eduardo Reis. Nessa conversa, foram abordadas quest\u00f5es sobre a obra que faz um estudo liter\u00e1rio sobre Jaula, de Astrid Cabral, autora amazonense. De onde parte a inquieta\u00e7\u00e3o para a pesquisa em Jaula, de Astrid Cabral? 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