{"id":1598,"date":"2024-03-20T14:19:27","date_gmt":"2024-03-20T18:19:27","guid":{"rendered":"https:\/\/editora.uea.edu.br\/?p=1598"},"modified":"2024-03-20T14:35:19","modified_gmt":"2024-03-20T18:35:19","slug":"entrevista-com-a-autora-de-memoria-influencia-e-superacao-na-prosa-de-cintia-moscovich","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editora.uea.edu.br\/?p=1598","title":{"rendered":"Uma entrevista com a autora de &#8220;Mem\u00f3ria, influ\u00eancia e supera\u00e7\u00e3o na prosa de C\u00edntia Moscovich&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A Editora UEA, como forma de prestigiar diversas autoras em suas redes sociais neste m\u00eas de celebra\u00e7\u00e3o ao Dia Internacional da Mulher (8), entrevistou a Profa. Dra. Elaine Andreatta, autora do livro &#8220;Mem\u00f3ria, influ\u00eancia e supera\u00e7\u00e3o na prosa de C\u00edntia Moscovich&#8221;. A obra, que \u00e9 livro do m\u00eas na p\u00e1gina da Editora UEA, analisa a prosa intimista de C\u00edntia Moscovich e observa a express\u00e3o dos componentes judaicos e a reflex\u00e3o sobre a ang\u00fastia identit\u00e1ria na literatura contempor\u00e2nea no Brasil. Nessa conversa com a autora, foram abordadas as perspectivas da autoria feminina, a ideia de investiga\u00e7\u00e3o da autora e a import\u00e2ncia de valorizar o espa\u00e7o feminino na literatura brasileira. Vem conferir!<\/p>\n\n\n\n<ul><\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<ul>\n<li><strong>Como surgiu a ideia de investigar o trabalho de C\u00edntia Moscovich?<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Sempre fui uma leitora de Clarice Lispector e apaixonada pela sua escrita lancinante e propulsora de indaga\u00e7\u00f5es diante do mundo. Na gradua\u00e7\u00e3o em Letras, estudei C\u00edntia Moscovich e sua prosa iniciante, mas a reencontrei apenas no ano de 2011, com mais obras publicadas, quando comecei a elaborar um projeto de disserta\u00e7\u00e3o para o Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Letras \u2013 Estudos Liter\u00e1rios, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Eu buscava estudar literatura contempor\u00e2nea de autoria feminina, percebendo o crescimento desses estudos nos \u00faltimos anos e querendo contribuir com a visibiliza\u00e7\u00e3o de mais autoras. Na experi\u00eancia de leitura do seu texto, em especial o livro de contos <em>Arquitetura do arco-\u00edris<\/em> (2004), ficaram marcados os di\u00e1logos existentes na produ\u00e7\u00e3o de Moscovich, al\u00e9m da multiplicidade de temas problematizados a partir de personagens mulheres. Em seu texto, a mem\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 aquela apenas vivenciada na experi\u00eancia cotidiana, mas a mem\u00f3ria das leituras que carrega, que a influenciam, entrecruzam, criando um jogo po\u00e9tico de imagens, s\u00edmbolos e analogias. Nesse processo, Clarice Lispector \u00e9 uma voz recorrente. Meus interesses se cruzaram nesse caminho, assim como a possiblidade de construir uma pesquisa sobre uma autora contempor\u00e2nea que produzia fic\u00e7\u00e3o com personagens mulheres e tamb\u00e9m estabelecia um di\u00e1logo com Lispector. Isso despertou n\u00e3o s\u00f3 minha curiosidade acad\u00eamico-cient\u00edfica em torno da sua escrita, mas tamb\u00e9m meu ato pol\u00edtico em contribuir com estudos que potencializassem, visibilizassem e colocassem em circula\u00e7\u00e3o textos de autoria feminina.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<ul><\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<ul>\n<li><strong>A partir da sua perspectiva, como analisa o espa\u00e7o atual dedicado \u00e0 autoria feminina no mercado editorial?<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Penso que caminhamos bastante nos \u00faltimos anos com uma sociedade que se mobiliza na luta feminista, mas ainda h\u00e1 um grande caminho a ser percorrido. A edi\u00e7\u00e3o e a publica\u00e7\u00e3o de obras de autoria feminina ainda percorrem todas as dificuldades vivenciadas pelas mulheres para escrever e se inscreverem como autoras, porque n\u00e3o basta que o livro seja editado e publicado. A circula\u00e7\u00e3o das obras ainda depende de um conjunto de fatores: as autoras precisam ganhar espa\u00e7o nas leituras acad\u00eamicas, nas livrarias, nas m\u00eddias oficiais, nas premia\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias, quebrando c\u00edrculos estabelecidos por crit\u00e9rios que n\u00e3o se voltam necessariamente para a qualidade de uma obra. As mulheres foram silenciadas ao longo da hist\u00f3ria porque coube a elas o espa\u00e7o dom\u00e9stico e o cuidado com tudo o que continha nele. Alcan\u00e7ar o espa\u00e7o p\u00fablico, podendo refletir inclusive sobre o que era imaginado e estereotipado por uma sociedade heteronormativa, apresentando a experi\u00eancia genu\u00edna, passou por apagamentos, lutas e conquistas. Al\u00e9m de alcan\u00e7ar o mercado editorial hoje, as mulheres que produzem literatura ainda necessitam travar lutas diante de s\u00e9culos de sil\u00eancios e, sabemos, isso n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<ul><\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<ul>\n<li><strong>Para finalizar, poderia comentar um pouco sobre a import\u00e2ncia da valoriza\u00e7\u00e3o dessas autoras e o papel que elas carregam por incentivar jovens escritoras no Brasil?<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, vivemos a efervesc\u00eancia de uma transforma\u00e7\u00e3o te\u00f3rica no campo dos estudos liter\u00e1rios contempor\u00e2neos, o que fez com que fossem abertas fronteiras, com questionamentos e revolu\u00e7\u00f5es que j\u00e1 n\u00e3o podem ser ignorados. Isso fez com que os processos de exclus\u00e3o, marginaliza\u00e7\u00e3o e silenciamentos experimentassem o ato de serem \u201cpassados a limpo\u201d: j\u00e1 figuram em nossas prateleiras livros escritos por mulheres e com personagens mulheres retratadas a partir de um mundo que carrega marcas sociais da diferen\u00e7a. Nesse sentido, as produ\u00e7\u00f5es de autoria feminina levantam interroga\u00e7\u00f5es acerca de representa\u00e7\u00f5es dominantes, em um projeto que se volta \u00e0 margem, assumindo a responsabilidade pela hist\u00f3ria e desconstruindo lugares de privil\u00e9gio alcan\u00e7ados, por muito tempo, pela autoria masculina. Por isso \u00e9 fundamental valorizar, ler e debater tais produ\u00e7\u00f5es. S\u00e3o obras singulares que, por serem de autoria feminina, s\u00e3o capazes de instaurar um campo de desconstru\u00e7\u00e3o de subjetividades antes descritas pelo ponto de vista masculino, em um jogo social entre o individual e o coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, enquanto mulheres escrevem e lutam por um mercado editorial mais igualit\u00e1rio, tamb\u00e9m incentivam outras mulheres a escreverem, assim como no momento em que se produzem textos cr\u00edticos, colocando em tela autoras diversas, revisita-se a teoria cr\u00edtica e reinscreve-se a trajet\u00f3ria da literatura, com a proposta de desuniversalizar o ponto de vista masculino que, em muitas obras, ao retratar um aspecto social ou um campo moral de homens que escrevem sobre mulheres, ignoram perspectivas de mundo diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, a consci\u00eancia de si, dos outros e do mundo tamb\u00e9m se faz pela leitura. Para tanto, ser\u00e1 preciso ampliar nossas leituras ouvindo e dialogando com vozes e perspectivas diversas. Leia mulheres!<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<ul><\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Ficou interessado pela obra?<\/p>\n\n\n\n<p>Para saber mais sobre a obra, entre em contato com a Editora UEA atrav\u00e9s de nossas redes sociais. Estamos sempre presentes no nosso&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ueaeditora\/?igshid=YmMyMTA2M2Y%3D\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/twitter.com\/UEAeditora\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ueaeditora\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a>!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Editora UEA, como forma de prestigiar diversas autoras em suas redes sociais neste m\u00eas de celebra\u00e7\u00e3o ao Dia Internacional da Mulher (8), entrevistou a Profa. Dra. 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